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quarta-feira, 10 de junho de 2015

A CULTURA DOS DIREITOS HUMANOS!

Sem religião, cultura dos direitos humanos ficaria «enormemente empobrecida»

O arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, considera que sem a contribuição «da perspetiva religiosa sobre a pessoa, toda a cultura dos direitos humanos, inclusive a dos não crentes, ficaria enormemente empobrecida».
A intervenção do prelado inglês foi proferida esta segunda-feira no seminário "Construir juntos sociedades inclusivas: contribuições para o Encontro de Sarajevo sobre a dimensão religiosa do diálogo intercultural", que decorreu no Conselho da Europa, em preparação do encontro sobre o mesmo tema marcado para 8 e 9 de setembro na capital da Bósnia-Herzegovina.
O responsável salientou que as religiões constituem elemento essencial no contexto do diálogo intercultural, marcado por polaridades múltiplas, sendo chamadas a dar uma colaboração específica no que diz respeito ao avanço da cultura dos direitos humanos.
A liberdade religiosa é um elemento-chave para o desenvolvimento de uma sociedade democrática, pelo que a promoção e proteção daquele direito é uma tarefa fundamental para os estados e organizações internacionais, apontou o arcebispo.
Para Paul Gallagher, «a dimensão religiosa continua a ser um ponto de referência para milhões de pessoas na Europa, o que afeta as suas decisões e, em maior ou menor grau, a sua identidade. É uma dimensão que está em contínua transformação, devido às novas formas religiosas de vida e às profundas mudanças experimentadas nas comunidades religiosas que estiveram durante muito tempo presentes na Europa».
«Não posso pretender falar em nome de outras culturas religiosas; mas creio que a contribuição específica da Igreja católica para uma cultura comum dos direitos humanos é patente, de diversas maneiras», desde logo «pela consciência de uma radical igualdade e fraternidade entre todos os seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus», vincou.
A perspetiva católica acentua igualmente o valor dos «pobres e marginalizados, da dignidade de toda a vida humana, não importa quão débil ou precária, desde a conceção à morte natural», além de defender a transmissão de uma identidade religiosa simultaneamente «firme e respeitosa com os demais, aberta ao diálogo com outras religiões e visões do mundo».
«Estes são valores universais, e ainda que não sejam exclusivos da fé católica, esta ofereceu e continua a oferecer uma contribuição única», afirmou o prelado, acrescentando que cada religião «pode e deve» consolidar aquele património comum, «abraçando o bom que existe em todas as tradições, e inclusive convidando à discussão sincera sobre as limitações percebidas em todas as tradições do pensamento, sejam religiosas ou não».
Paul Gallagher sublinhou que «no contexto atual das sociedades multiculturais, o respeito da liberdade religiosa é um dos fatores fundamentais para avaliar o estado de saúde de uma democracia e se esta pode considerar-se como um verdadeiro lugar para todos».
«Promover a liberdade religiosa é particularmente importante na prevenção e na luta contra o fenómeno da violência extremista e a radicalização», realçou o arcebispo.
 Vatican Information Service
Trad. / edição: Rui Jorge Martins    

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